De acordo com os últimos dados do IPMA, desde o início do corrente ano hidrológico (outubro de 2021) que se registam em Portugal valores de precipitação com percentagens inferiores a 25% do valor médio e o valor acumulado de precipitação apresenta um défice de -255 mm (45% em relação ao valor normal).
“O índice de percentagem de água no solo (SMI) apresenta uma diminuição significativa em relação ao final de dezembro em todo o território, salientando-se os valores inferiores a 20% na região Nordeste e na região Sul, sendo que em muito locais dessas regiões já se atingiu o ponto de emurchecimento permanente”, que se traduz no “valor máximo do teor volúmico de humidade de um solo já não utilizável pelas plantas (quantidade de água existente na zona das raízes das plantas a partir da qual a planta não consegue recuperar a turgidez).”
Embora as previsões meteorológicas de médio e longo prazo tenham um carácter probabilístico, não podendo, por isso, ser admitidas com elevado grau de rigor determinístico e devendo ser continuamente revistas, “será muito provável o agravamento da situação de seca meteorológica no final de fevereiro, em todo o território do continente.” (IPMA)
De acordo com um estudo da Fundação Calouste Gulbenkian o sector agrícola, “é responsável por 75% do total de água utilizada, um número que contrasta com a média da União Europeia (24%) e chega a ser superior à média mundial (69%)”.
“A grande maioria dos agricultores ainda não mede a água que gasta (71% não tem sequer contador)” e “85% dos agricultores afirmam não ter de cumprir nenhuma exigência de poupança ou eficiência em relação à água que gastam junto dos seus clientes e apenas 3% já incluem cenários de longo prazo e de sustentabilidade no planeamento da sua atividade.” (Fonte: https://eco.sapo.pt/2021/03/22/portugal-enfrenta-serios-riscos-de-escassez-de-agua-ate-2040-revela-estudo-da-gulbenkian/)
Face à situação actual e de modo a salvaguardar o abastecimento público, foram definidas cotas e volumes de água a partir da qual outros usos podem ficar condicionados, quer seja a produção de energia ou a rega.
Desta forma, há quatro barragens cuja água só será usada para produzir eletricidade cerca de duas horas por semana, garantindo valores mínimos para a manutenção do sistema: Alto Lindoso e Touvedo, no distrito de Viana do Castelo, Cabril (Castelo Branco) e Castelo de Bode (Santarém) e a água da barragem de Bravura, no Barlavento algarvio, deixa de poder ser usada para rega.
Tendo em conta a situação actual e as previsões, há pequenos gestos que podemos adoptar para evitar gastos desnecessários:
- Feche a torneira enquanto escova os dentes e lava a loiça;
- Use apenas a quantidade de necessária para cozinhar, evitando utensílios demasiado grandes que conduzem a um uso desnecessário de maior quantidade de água;
- Tome um duche rápido em vez de um banho;
- Recolha e reutilize a água desperdiçada como por exemplo a que se perde enquanto aquece a água para tomar duche e a que utiliza para lavar frutas e vegetais;
- Evite as fugas;
- Regue as plantas nas horas de menor sol e seja cuidadoso com o desperdício da água para rega;
- Reduza os gastos de água do autoclismo colocando uma garrafa cheia de terra no seu interior ou preferindo um de dupla descarga;
- Utilize a máquina de lavar roupa apenas quando estiver cheia.

